Wednesday, September 24, 2008

Crónica Lisboeta

Mais um dia, sim. Mais um dia nesta cidade atarefada cujos habitantes parecem "desalmados", sem vida nem cor.
Estou atrasada, mais uma vez, e a centopeia que percorre a cidade está a chegar. Mas desta vez vem composta, sei que sim.
Entro e deparo-me à minha esquerda num senhor que lê um livro de tal forma que parece ter entrado neste, como se tivesse de facto a viver a respectiva história, ou até mesmo a "engolir" palavras e palavras de modo a ficar sábio; à minha direita está um casal de jovens, que à minha vista parecem discutir no que comprar para a sua nova casa, ela ansiosamente falando no que desejava, e ele contra argumentando com a falta de dinheiro.
Outra paragem, e o jovem casal decide acabar a sua viagem nesta centopeia que agora mais parece um enlatado, em seu lugar entra uma idosa a resmungar com o motorista como se fizesse parte da sua rotina.
Esta cidade que é Lisboa parece ser nada mais nada menos que um rio mitológico cheio de almas perdidas cujas rotinas parece ser discutir e pensar nos seus problemas.
De repente a minha atenção salta para um grupo de estudantes no fundo do autocarro, que parecem estar a competir por quem ri mais alto. Que alegria contagiante.
Afinal, Lisboa não é monótona, não é somente o Terreiro do Paço nem outros monumentos, não é só os atrasos constantes para o trabalho, nem tão pouco é as dificuldades que cada um tem. É a felicidade contagiante que grupos como este transmitem, é a variedade de pessoas, géneros e cultura, é o porto de abrigo dos lisboetas.

3 comments:

Bruno said...

Esta rapariga sabe escrever, escreve com alma e coisas maravilhosas...

Amo-te imenso amor
@@

Anonymous said...

Um dia quero viver no centro de lisboa. Simplesmente adoroo xD
escreves bem continua assim =D

Andreia said...

Não é o porto de abrigo dos Lisboetas quando esse mesmo grupo incomoda todos os outros! *